Abandono de um poço de petróleo


Assim como qualquer produto, os
campos de petróleo possuem um ciclo de vida bem definido, sendo constituído
pelas etapas de exploração, desenvolvimento, produção e descomissionamento.
Nesta última etapa, ocorrem as operações de desativação e descomissionamento da
unidade de produção, equipamentos, dutos e, também, o abandono do poço. As
operações de abandono, geralmente permanente, são denominadas Plugging & Abandonment ou P & A,
como se refere na indústria.

No entanto, o abandono pode ocorrer
ainda na fase de exploração. Apesar de todos os avançados métodos geofísicos
existentes atualmente, só é possível garantir que um determinado reservatório
possui uma acumulação rentável de hidrocarbonetos se houver a perfuração de
poços. E, devido às incertezas geológicas, após a perfuração de um poço, faz-se
necessária uma avaliação mais precisa para analisar se a acumulação justifica o
investimento em um sistema de produção. São nesses casos que ocorre o abandono
temporário, com o objetivo de retornar futuramente e caracterizar melhor o
potencial da acumulação, o que é uma prática comum de ocorrer na indústria de
petróleo.

O fato é que essas operações
requerem planejamento detalhado, uma cuidadosa estimativa de risco e custo, além
de medidas de preventivas de segurança, pois trata-se de um momento em ocorrem
apenas gastos e não se gera mais receitas.

Os principais objetivos de realizar
o abandono de um poço são:

·      
Impedir que fluidos provenientes de formações
mais pressurizadas entre em contato com o oceano, lençol freático ou mesmo com
a terra;

·      
Proteger as reservas que ainda restam no
reservatório;

·      
Atender a todos os requisitos legais impostos
por órgãos reguladores.

As operações de abandono consistem
em garantir o completo isolamento do poço, criando barreiras ao fluxo. Dessa
forma, os revestimentos e a cimentação do poço devem estar íntegros. Geralmente
tampões de cimento e tampões mecânicos são colocados em áreas consideradas mais
susceptíveis.

Tampões de cimento

Desde o século XIX, os tampões de
cimento são utilizados para abandonar poços. Sua finalidade é a mesma, mas o
que tem mudado é a introdução de aditivos para alterar as propriedades da
pasta. A depender das características do fundo do poço, a composição deve ser
adequada às condições de pressão e temperatura.

A integridade da composição do
cimento é crucial para sua eficiência como selante. Sempre que possível, o
cimento deve ser circulado no poço para evitar uma distribuição heterogênea da
pasta.

Uma das técnicas utilizadas para
colocar o plug de cimento na posição desejada é feita através dos dump bailers. Essas ferramentas são
capazes de conter um volume de cimento em seu interior e liberá-lo na região de
interesse e podem ser descidos por meio de arames. Um tampão mecânico é usado
conjuntamente para servir de suporte para o cimento depositado. A figura abaixo
ilustra um dump bailer inserido no
poço. Em verde, tem-se a representação do cimento alojado no interior da
ferramenta e, à direita, o mecanismo acionado.

Plugs
maiores tem maior probabilidade de serem mais eficientes. Porém, testes de
pressão devem ser realizados para garantir que os mesmos irão selar o poço.
Deve-se atentar à aplicação de altas pressões sob o plug de cimento para que ele não se desprenda ou rache. Para um
isolamento de qualidade, o intervalo produtor deve ser cimentado e um plug de
cimento deixado dentro do revestimento de produção.

Os tampões podem ser usados em
outras situações especiais, como presença de zonas com pressão anormalmente
alta, zonas de água doce e de outras zonas que contenham hidrocarbonetos.

A última barreira de proteção é o
tampão de superfície, cujo objetivo é impedir o derramamento de óleo.

Tampões mecânicos

Quando se pretende reduzir o uso de
cimento, há um risco de contaminação da pasta e para dar mais segurança ao
tampão de superfície contra as pressões das formações profundas, tampões
mecânicos são utilizados. Existem dois tipos: o bridge plug ou o retentor de cimento. A escolha de qual desses usar
baseia-se na necessidade de bombear cimento abaixo do tampão. Dessa forma,
havendo necessidade, usa-se o retentor e, caso contrário, o bridge plug é a melhor alternativa.

As partes principais desses equipamentos
são:

·      
O corpo do tampão que pode ser feito de aço, de
ferro forjado ou de materiais compósitos.

· As
cunhas, ou dentes que seguram o tampão mecânico em posição no interior do
revestimento.

·
Material de vedação que garante a estanqueidade do poço. Esse material consiste
em borracha ou nylon que é expandido para selar todos os espaços dentro do
poço.

· A
ferramenta que permite que o tampão mecânico seja assentado e depois solto, de
modo que seja possível recuperar o coiled
tubing
ou arame usado para descê-lo no poço.

Abaixo, uma figura representativa do bridge plug. Sua função é prover
estanqueidade ao poço, suportam altas pressões e são projetados de modo a serem
facilmente perfurados posteriormente, o que os tornam ideais para operações de
completação e abandono temporário.

 

Já o retentor de cimento (cement retainer
plug
) isola a região abaixo do tampão mecânico, permitindo que uma camada
cimento seja bombeada através deste. O fluxo se dá de cima para baixo, mas
nunca no sentido contrário, o que impede que o cimento retorne à superfície. A
figura abaixo ilustra um retentor de cimento.

 

Vistas as formas de se realizar um
abandono, quais são as razões para se declarar que um poço precisa ser abandonado
e quais são as subcategorias de abandono?

As razões são as seguintes:

·      
Cessão da produção: o poço não é mais
economicamente rentável.

·      
Poço partilhado: abandona-se parte do poço já
perfurado e completado e perfura-se novamente o mesmo seguindo uma trajetória
lateral para se atingir zonas mais produtivas do reservatório.

·      
Poços exploratórios: abandonados imediatamente
após serem perfurados e testados.

Quanto às categorias, no Brasil,
divide-se o abandono em temporário e permanente.

Ocorre o abandono temporário quando
o poço não é rentável em um determinado momento de seu ciclo de vida e pode ser
feito quando existir a necessidade de reparo no BOP entre as operações de
perfuração e completação. Entretanto, de acordo com a ANP, abandonos
temporários monitorados devem ter prazo máximo de duração de três anos.

Um abandono permanente está
ilustrado abaixo. À esquerda, a configuração do poço antes do abandono e, à
direita, após.

 

Lucas
Goulart

Diretoria
de Projetos do Portal do Petroleiro

Graduando
em Engenharia de Petróleo

 

Referências

MALOUF,
L. R. Análise das operações de perfuração de poços terrestres e marítimos.
Projeto de Graduação do curso de Engenharia de petróleo da Escola Politécnica,
Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2013.

SOARES,
L. N. Abandono de poços: levantamento de práticas mundiais e recomendações para
o cenário brasileiro. Projeto de Graduação do curso de Engenharia de petróleo
da Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2017.

THOMAS,
J. E. Fundamentos de Engenharia de Petróleo. Interciência: Petrobras. 2. ed.
271 p. Rio de Janeiro, 2004.

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