Investida Russa: Petróleo Siberiano e Usina Nuclear Flutuante

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           Figura – Usina nuclear flutuante russa (Akademik Lomonsov)

Aspectos Geopolíticos
da Sibéria

Durante o Período Czarista Russo (1547-1917) a região da
Sibéria era vista como um local reservado ao exílio de prisioneiros e políticos
opositores, essa visão de proscrição estendeu-se durante a Revolução Russa de
1917 e perdurou até o final do Stalinismo (1927-1953). Entretanto o Império
Russo sempre mostrou seu interesse na região, sobretudo pela riqueza em seu
subsolo, sendo um exemplo a construção da Ferrovia Transiberiana que foi
impulsionada no século XIX, a ferrovia foi importante para o desenvolvimento
dos locais mais afastados de Moscou.

Hoje a Sibéria é a prioridade em
investimentos da Rússia. Com uma extensão territorial de 13.1 milhões de km², a
Sibéria, ocupa grande parte do território russo e norte do Cazaquistão,
estendendo-se dos Montes Urais (L) ao Oceano Pacifico (O) e do Oceano Ártico (N) a
fronteira ao sul com o Cazaquistão, Mongólia, China e Coreia do Norte. Segundo
estimativas de 2017 a região apresenta uma população de 40.3 milhões de
habitantes e densidade demográfica de 0.32 hab./km².

O clima varia bastante,
devido a latitude e a seu planalto central, áreas montanhosas e sua gigantesca
planície que percorre de norte a sul. Há presença de desertos congelados,
tundra, florestas de coníferas e estepes. As temperaturas podem chegar aos 60°C
negativos, tornando diversas áreas inacessíveis.

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Figura – Mapa político da Rússia; Região da Sibéria; Relevo
e fronteiras russos.

Usina Nuclear
Flutuante Russa

A primeira Usina Nuclear Flutuante da Rússia foi inaugurada
em 28 de abril de 2018 com o nome de “Akademik Lomonsov”, a estrutura flutuante
começou a ser construída em 2007 pela estatal russa Rosatom (Companhia Estatal
de Energia Nuclear) para ser operada no mar do ártico. A saída de São
Petersburgo levará a usina numa jornada rumo ao extremo oriente da Rússia onde
abastecerá uma cidade portuária, plataformas de petróleo e uma usina de
dessalinização. 

O funcionamento, segundo a companhia estatal, é de que a usina
flutuante comece gerar energia no segundo semestre de 2019, quando é verão no
hemisfério norte. A Akademik Lomonsov terá uma vida útil de 35-40 anos,
contendo dois reatores nucleares e substituirá a Termelétrica de Chaunokaya, de
70 anos, e a Usina Bilibino, usina nuclear inaugurada em 1974.

A Rosatom pretendia realizar testes na usina flutuante ainda
em São Petersburgo, assim os reatores deveriam estar abastecidos, contudo,
ativistas ambientalistas do Greenpice e a pressão política dos países bálticos
fizeram com que a empresa mudasse seus planos. Enquanto a Akademik Lomosov não
detinha combustível nuclear era movida por dois barcos, a usina foi encaminhada
para Murmansk onde é abastecida com combustível para seus dois reatores
nucleares antes que vá diretamente para seu destino final em Pewek na costa
ártica de Chu Kotka.

O Greenpice apelidou a usina nuclear de “Chernobyl
Flutuante” e “Titanic Nuclear”, dizendo que a saúde do oceano ártico não
aparenta ser uma preocupação da Rússia, pela exposição dos ambientes naturais
da região, que são estáveis, além de a segurança da população que poderia ser
comprometida com testes tão próximos a áreas urbanas, prejudicando os
ecossistemas locais e a saúde da população. Ainda segundo representantes da
organização a natureza da usina é vulnerável a tsunamis e outros fatores
naturais de risco, estando suscetível a acidentes, contudo a Rosatom diz que a
usina flutuante é resistente e apontou que atendeu às exigências da Agência
Internacional de Energia Atômica.

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                  Figura – Akademik Lomonsov em São Petersburgo

Desenvolvimento da
Sibéria e Indústria de Petróleo e Gás

Uma vez que a região é essencial para a economia de Moscou
são necessários muitos investimentos para alavancar seu índice de
desenvolvimento, porém o lugar é pouco povoado, dificultando os avanços na
exploração de commodities. A Rússia não quer ser um país plenamente europeu,
mas também quer garantir sua influência na Ásia, por isso é tão importante que
ocorra o desenvolvimento da Sibéria.

Aproveitando dos efeitos causados pelo aquecimento global,
sobretudo o derretimento das geleiras no ártico, o país tem utilizado novas
rotas de navegação ao norte, antes inacessíveis, assim como tem explorado  óleo e gás em gigantescas áreas de taiga
pantanosa e permafost siberianos. Tudo isso torna a Akademik Lomonsov fundamental
para o desenvolvimento da região.

Há ainda especulações quanto a fabricação de mais usinas
nucleares flutuantes, uma vez que a Rosatom tem interesse em vender estruturas
semelhantes. Alguns países como China, Índia, Coreia do Sul e Brasil estudam a
possibilidade de implementação de usinas nucleares em seus mares, que podem
servir de diversas formas as necessidades de cada país, inclusive a produção de
petróleo e gás como ocorrerá na Sibéria.

Lucas Adriano
Seguidor do Portal do Petroleiro
Graduando em Engenharia de Petróleo

FONTE:

[1] Informações  sobre
a Sibéria podem ser encontradas em: https://www.suapesquisa.com/paises/russia/siberia.htm
[2] Mais informações sobre a Sibéria podem ser encontradas
em: http://www.russobras.com.br/econ/econr_siberiaos.php
[3] Informações históricas e referente ao investimento da
Rússia na Sibéria podem ser encontradas em: https://br.rbth.com/economia/2013/06/24/com_80_do_petroleo_do_pais_siberia_pode_ser_arma_economica_russa_par_20023
[4] Informações sobre a usina
nuclear flutuante podem ser encontradas em: http://www.naval.com.br/blog/2018/04/30/russia-lanca-primeira-usina-nuclear-flutuante/
[5] Mais informações sobre a
usina nuclear flutuante podem ser encontradas em: https://exame.abril.com.br/mundo/russia-lanca-usina-nuclear-flutuante-e-gera-controversia/
[6] Informações sobre os os
países interessados em unidades de usinas nucleares flutuantes podem ser
encontradas em: https://exame.abril.com.br/mundo/russia-estuda-construir-1a-usina-nuclear-flutuante-590414/

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