Desafios do Pré-Sal

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                                IMAGEM MERAMENTE ILUSTRATIVA

O pré-sal apresenta um enorme potencial para a economia brasileira, dado o grande volume de produção esperado bem como a alta qualidade do óleo extraído dessa região. Tais características conferem ao Brasil um protagonismo mundial na exploração e produção de petróleo e gás natural em ambiente offshore.

Sendo o setor de petróleo e gás natural responsável pela maior parte dos investimentos na economia brasileira, participando com mais de 10% da Formação Bruta de Capital Fixo do País (BNDES, 2018), os recursos oriundos das atividades de exploração e produção de hidrocarbonetos são fundamentais para contribuir para o desenvolvimento econômico, por meio do financiamento de projetos científicos e tecnológicos, da cadeia produtiva da indústria de petróleo e gás natural e, também, na promoção da eficiência energética.

O pré-sal possui um potencial de atração de investimentos para a indústria petrolífera da ordem de R$ 2,5 trilhões nos próximos dez anos, além da possibilidade de arrecadação, pelo governo federal de cerca de R$ 1,8 trilhão em tributos e royalties ao longo de 30 anos, caso consiga realizar o leilão do óleo excedente dos campos da área da Cessão Onerosa, na Bacia de Santos.

O PNE 2050 compreende um período longo, durante o qual uma série de incertezas relacionadas aos riscos geológicos, de operação, de infraestrutura e até mesmo ao cenário político nacional, podem influenciar direta ou indiretamente a produção brasileira de petróleo e gás natural. As projeções de produção de petróleo para médio e longo prazo indicam a possibilidade do Brasil se manter como grande produtor de hidrocarbonetos, com uma média aproximada de 5 milhões de barris por dia e volumes de gás natural líquido em torno de 100 milhões de m³ por dia a partir de 2030. A tendência crescente das produções é influenciada pelas expectativas de produção no pré-sal. Desse modo, estes recursos devem ser considerados como estratégicos nas projeções de longo prazo.

O grande volume de reservas de petróleo e gás natural de boa qualidade e com grande potencial econômico na região do pré-sal apresenta uma oportunidade extremamente significativa, porém também coloca alguns obstáculos desafiadores para a indústria petrolífera e para o País. Entre os principais questionamentos estão quesitos de ordem técnica, estrutural, financeira, regulatória e de inovação. Neste último aspecto, é fundamental destacar que a exploração do pré-sal em águas ultra profundas requer um constante e massivo investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) e o envolvimento de instituições de ensino e pesquisa competentes para o desenvolvimento de novas tecnologias, dentre outras medidas.

Alguns dos desafios para o desenvolvimento das atividades de exploração e produção da província do pré-sal brasileiro:

Desafios Tecnológicos

A descoberta de reservas do pré-sal alavancou o desenvolvimento de um segmento da área de exploração e produção de petróleo e gás natural, no qual há grande exigência por aperfeiçoamentos tecnológicos. Ademais, a gradual mudança de posicionamento de grandes empresas petrolíferas mundiais em busca de diversificação de suas carteiras de investimento, face a um novo cenário de penetração de energias alternativas e de maiores restrições à emissão de gases de efeito estufa1, reforçam a necessidade de desenvolvimento de técnicas mais eficientes para a extração, desenvolvimento e transporte dos recursos. Um dos desafios para o desenvolvimento das grandes reservas de hidrocarbonetos na província do pré-sal é a questão do CO2, presente em grande quantidade, especialmente no gás natural produzido na região da Bacia de Santos. O aperfeiçoamento de técnicas de separação do CO2 dos hidrocarbonetos produzidos é mandatório para o aumento da eficiência no aproveitamento desses recursos. Ainda em relação ao CO2 a ser produzido nessa região, outra possibilidade a ser avaliada é seu uso para injeção nos campos com produção declinante na Bacia de Campos, naqueles em que isso for geologicamente possível, com o objetivo de aumentar o fator de recuperação destes, assim como já é feito em diversos campos na Bacia de Santos. Para isso, uma malha de carbodutos (dutos de transporte de CO2) teria de ser construída com essa finalidade.

Em um panorama de transição energética, a importância do gás natural será fundamental, substituindo cada vez mais energéticos fósseis como o petróleo e o carvão. O petróleo dos reservatórios do pré-sal normalmente está associado a grandes volumes de gás natural e contaminantes. A monetização deste gás natural, produzido a longas distâncias da costa e que pode contribuir significativamente com a matriz energética do País, apresenta-se como um dos desafios do cenário atual.

Basicamente, a viabilidade econômica da utilização do gás natural dependerá da distância, do volume transportado e do preço do gás natural. Além da implantação de gasodutos de longa extensão, existe a possibilidade de desenvolvimento de tecnologias, como geração de gás natural liquefeito (GNL) embarcado, transformação em hidratos, ou adsorção em carvão ativado.

Infraestrutura e Investimentos

Deve-se considerar que a descoberta do présal aumentará de forma significativa a necessidade de investimentos em projetos de E&P. Além da necessidade de dutos de escoamento, a demanda brasileira por plataformas de petróleo do tipo FPSO (produção, armazenagem e transbordo) prosseguirá, com previsão de aumento da demanda das petroleiras e do transporte marítimo não somente para o transporte de cabotagem (na costa brasileira), como para exportação.

Desafios regulatórios e institucionais

O setor de petróleo tem como características basilares ser extremamente intensivo em capital, além de possuir um elevado risco de negócio. Essas características se relacionam, uma vez que o retorno esperado é de longo prazo afetado por diversos fatores, tais como os riscos geológicos, o cenário econômico e de preços, as ameaças de intervenções políticas, a robustez do ambiente regulatório, a vigilância da sociedade em questões sensíveis, entre outros. O ambiente institucional em volta de um projeto de exploração é, portanto, parâmetro fundamental para a decisão de investimento. Em geral, quanto mais seguro, menor a taxa de retorno requerida pelo investidor e maior o volume de investimentos e de exploração esperado.

Nos últimos anos, o Brasil tem promovido uma agenda positiva no setor de petróleo e gás natural, buscando estabelecer um ambiente mais favorável à atração de investimentos. Medidas de redução de encargos e de flexibilização de exigências vêm proporcionando um ambiente favorável à atração de investimentos privados. Essas mudanças reduzem os custos da produção brasileira, tornando-a mais competitiva e atraindo capital de empresas multinacionais. Além disso, outras iniciativas também foram estabelecidas para melhorar a previsibilidade e aumentar a estabilidade dos investimentos, como a execução do calendário plurianual de leilões de blocos exploratórios de petróleo e gás natural, revisão das cláusulas de conteúdo local e a Oferta Permanente6 de blocos exploratórios (EPE, 2018).

Inovação, gestão e capital humano

Sendo a indústria petrolífera intensiva em tecnologia e mão-de-obra altamente qualificada, inovações se fazem constantemente necessárias, através de novas técnicas dependentes de ferramentas computacionais cada vez mais sofisticadas e de profissionais experientes. Por meio da inovação viabiliza-se o aumento de produtividade, a contínua redução de custos, a inserção na cadeia de fornecimento global, e aumenta-se a sustentabilidade ambiental do setor ao longo do tempo.

Desafios socioeconômicos

O pré-sal representa uma riqueza natural cujos benefícios potenciais para a sociedade ultrapassam o setor em si. Esses benefícios vão desde o desenvolvimento das indústrias nacionais direta e indiretamente relacionadas ao setor, ao desenvolvimento tecnológico, passando pelos investimentos em educação e inovação. Um desafio que se coloca ao País é garantir que a exploração desse recurso permita o melhor aproveitamento do ponto de vista da sociedade.

Gerlison Lopes Pinto
Diretoria de Projetos Portal do Petroleiro
Graduando em Engenharia de Petróleo

Referências:
Documento de Apoio ao PNE 2050, pode ser encontrada em, http://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-227/topico-457/Desafios%20do%20Pre-Sal.pdf

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Energias

       As fontes de energia não renováveis são aquelas que se
encontram na natureza em quantidades limitadas e se extinguem com a sua
utilização. Uma vez esgotadas, as reservas não podem ser regeneradas.
Consideram-se fontes de energia não renováveis os combustíveis fósseis (carvão,
petróleo bruto e gás natural) e o urânio, que é a matéria-prima necessária para
obter a energia resultante dos processos de fissão ou fusão nuclear. Todas
estas fontes de energia têm reservas finitas, uma vez que é necessário muito
tempo para as repor, e a sua distribuição geográfica não é homogênea, ao
contrário das fontes de energia renováveis, originadas graças ao fluxo contínuo
de energia proveniente da natureza.

Figura – Usina nuclear

       Dos tipos de energia não renovável mais usados no mundo, a
Energia Nuclear é a única que não tem origem fóssil. Ela é obtida a partir da
fissão nuclear de átomos de urânio, um minério extraído em apenas 19 países do
mundo. Muito usado em lugares com pouco potencial hidrelétrico, não emite
poluentes gasosos, mas é um tipo de energia cara, de alto risco ambiental e
social em caso de acidente. Além disso, a energia nuclear gera lixo radioativo
e pode ser usada para a fabricação de armas nucleares.

       Usinas nucleares são usinas térmicas que usam o calor
produzido na fissão para movimentar vapor de água, que, por sua vez, movimenta
as turbinas em que se produz a eletricidade. A parte mais importante é feita no
reator nuclear.

       Nas hastes nucleares do reator nuclear os combustíveis (geralmente de urânio ou plutônio) são depositados e projetando um nêutron começa a gerar uma série de reações em cadeia físicas e químicas que liberam uma grande quantidade de energia térmica. O choque de um nêutron livre com o isótopo 235U causa a divisão do núcleo desse isótopo em duas partes, e ocasiona uma liberação relativamente alta de energia. Dá-se a esse fenômeno o nome de fissão nuclear.

Figura – Funcionamento usina nuclear

       A energia térmica gerada no reator nuclear é utilizada para
aquecer a água em vapor a alta pressão. O vapor obtido será responsável para
operar uma grande turbina, que estão ligados a um dínamo vai gerar
eletricidade.  Uma vez que isto tem
gerado é passado através de um transformador para adaptá-la para ter a
necessidade de ser fornecido para as condições da rede de energia.

       Em alternativa, a energia nuclear pode também ser produzida
através do processo de fusão nuclear, que consiste na união de dois núcleos
leves para formar outro mais pesado e com menor conteúdo energético, através do
qual se libertam também grandes quantidades de energia. Este processo envolve
átomos leves, como os de deutério, tritio ou hidrogênio, que são substâncias
muito abundantes na natureza.

       Deve-se dizer, que o impacto ambiental resultante do
processo de fusão é muito menor, quando comparado com o da energia nuclear
produzida por fissão. Atualmente, esta fonte de energia encontra-se ainda numa
fase experimental, já que a tecnologia ainda não conseguiu criar reatores de
fusão devido às altas temperaturas necessárias para levar a cabo o processo.

Figura – Reatores nucleares no mundo

       Atualmente, no mundo, estão em operação 440 reatores
nucleares voltados para a geração de energia em 31 países. Outros 33 estão em
construção. Cerca de 17% da geração elétrica mundial é de origem nuclear, a
mesma proporção do uso de energia hidroelétrica e de energia produzida por gás.
Alguns países desenvolvidos têm seu abastecimento de energia elétrica com um
alto percentual de geração nuclear. Entre eles, a França tem 78%, a Bélgica
57%, o Japão 39%, a Coréia do Sul 39%, a Alemanha 30%, a Suécia 46%, a Suíça
40%. Somente nos Estados Unidos, os 104 reatores em funcionamento, que geram
20% da eletricidade daquele país, produzem mais eletricidade que todo o sistema
brasileiro de geração elétrica. Além desses reatores, funcionam mais 284
reatores de pesquisa em 56 países, sem contar um número estimado de 220
reatores de propulsão em navios e submarinos.

Sophia Paiva
Diretoria de Projetos Portal do Petroleiro
Graduanda em Engenharia de Petróleo

Referências:
HINRICHS, Roger A.; KLEINBACH, Merlin; DOS REIS, Lineu Belico. Energia e Meio Ambiente. 5. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2015. 764 p.

GOLDEMBERG, José; LUCON, Oswaldo. Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2008. 396 p.

ENERGIAS

       As fontes não renováveis de energia são
aquelas que se utilizam de recursos naturais esgotáveis, ou seja, que terão um
fim, seja em um futuro próximo, seja em um período de médio ou longo prazo. Em
alguns casos, esse tipo de energia costuma apresentar problemas de ordem
ambiental, além de disputas envolvendo a extração e comercialização de suas
matérias-primas.

       Os principais exemplos de fontes de energia
não renováveis são os combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral, gás
natural e xisto betuminoso) e os combustíveis nucleares.

Figura – Fontes de energias não-renováveis

       O petróleo é a principal fonte de energia primária,
alimentando, por exemplo, quase 95% dos transportes a nível global. As restantes fontes principais de energia primária
são o gás natural e o carvão, para além da nuclear, da hídrica e das energias
renováveis.

       Assim sendo, sua
extração e utilização foram e ainda são alvos de conflitos envolvendo potências
imperialistas e países produtores e refinadores. Trata-se, assim, de um recurso
natural de caráter estratégico, pois é amplamente utilizado por veículos,
constituindo-se como um elemento importante nos meios de transporte, além de
também poder ser utilizado na fabricação de produtos derivados, notadamente o
plástico, cosméticos, borracha sintética, lubrificantes, remédios, produtos de
limpeza, asfalto, tecidos sintéticos, entre outros.

Figura – Derivados de petróleo

       Sabe-se que o
petróleo é um hidrocarboneto que se forma a partir da
deposição de restos orgânicos de animais e vegetais no fundo dos oceanos, onde
também se constituem as bacias sedimentares. Assim, o soterramento
desse material durante a consolidação das diversas camadas de sedimentos ao
longo dos anos dá origem a um ambiente desprovido de oxigênio que se torna
propício para a constituição de hidrocarbonetos.

       As reservas
comprovadas de petróleo não param de aumentar, com uma importante contribuição
recente do “offshore”, que devido aos avanços tecnológicos, tem tornado
possível a sua exploração e produção em águas cada vez mais profundas. Desde
1995, as reservas provadas aumentaram sempre mais de 20% por década, aumentando
cerca de 51% no período de 1995 a 2015. As atuais reservas da Europa e Euro
Ásia cifram-se em 21.000 milhões de toneladas, cerca de 9% das reservas
globais, 65 % pertencendo à federação Russa. Os países da OPEC controlavam em
2015 cerca de 72% das reservas globais. Venezuela (18%), Arábia Saudita (16%),
Canadá (10%), Irão (9%), Iraque (8%), Federação Russa (6%), Koweit (6%), são os
maiores detentores atuais de reservas de petróleo provadas.

Figura – Imagem meramente ilustrativa

       Os
combustíveis oriundos do petróleo são profundamente criticados sob o ponto de
vista ambiental, pois a sua queima é responsável pela emissão de poluentes na
atmosfera. Por esse motivo, vários países e entidades vêm buscando
alternativas, a exemplo dos biocombustíveis. Além disso, o uso de outras fontes
de energia também seria uma importante forma de depender menos economicamente
desse tipo de recurso natural. Mesmo assim, podemos dizer que vivemos a “era do
petróleo”, em que quem domina ou controla o uso desse material possui, em torno
de si, um amplo poder econômico e político.

Sophia Paiva
Diretoria de Projetos Portal do Petroleiro
Graduanda em Engenharia de Petróleo

Referências:

HINRICHS, Roger A.; KLEINBACH, Merlin; DOS REIS, Lineu Belico. Energia e Meio Ambiente. 5. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2015. 764 p.

GOLDEMBERG, José; LUCON, Oswaldo. Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2008. 396 p.