Desafios do Pré-Sal

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                                IMAGEM MERAMENTE ILUSTRATIVA

O pré-sal apresenta um enorme potencial para a economia brasileira, dado o grande volume de produção esperado bem como a alta qualidade do óleo extraído dessa região. Tais características conferem ao Brasil um protagonismo mundial na exploração e produção de petróleo e gás natural em ambiente offshore.

Sendo o setor de petróleo e gás natural responsável pela maior parte dos investimentos na economia brasileira, participando com mais de 10% da Formação Bruta de Capital Fixo do País (BNDES, 2018), os recursos oriundos das atividades de exploração e produção de hidrocarbonetos são fundamentais para contribuir para o desenvolvimento econômico, por meio do financiamento de projetos científicos e tecnológicos, da cadeia produtiva da indústria de petróleo e gás natural e, também, na promoção da eficiência energética.

O pré-sal possui um potencial de atração de investimentos para a indústria petrolífera da ordem de R$ 2,5 trilhões nos próximos dez anos, além da possibilidade de arrecadação, pelo governo federal de cerca de R$ 1,8 trilhão em tributos e royalties ao longo de 30 anos, caso consiga realizar o leilão do óleo excedente dos campos da área da Cessão Onerosa, na Bacia de Santos.

O PNE 2050 compreende um período longo, durante o qual uma série de incertezas relacionadas aos riscos geológicos, de operação, de infraestrutura e até mesmo ao cenário político nacional, podem influenciar direta ou indiretamente a produção brasileira de petróleo e gás natural. As projeções de produção de petróleo para médio e longo prazo indicam a possibilidade do Brasil se manter como grande produtor de hidrocarbonetos, com uma média aproximada de 5 milhões de barris por dia e volumes de gás natural líquido em torno de 100 milhões de m³ por dia a partir de 2030. A tendência crescente das produções é influenciada pelas expectativas de produção no pré-sal. Desse modo, estes recursos devem ser considerados como estratégicos nas projeções de longo prazo.

O grande volume de reservas de petróleo e gás natural de boa qualidade e com grande potencial econômico na região do pré-sal apresenta uma oportunidade extremamente significativa, porém também coloca alguns obstáculos desafiadores para a indústria petrolífera e para o País. Entre os principais questionamentos estão quesitos de ordem técnica, estrutural, financeira, regulatória e de inovação. Neste último aspecto, é fundamental destacar que a exploração do pré-sal em águas ultra profundas requer um constante e massivo investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) e o envolvimento de instituições de ensino e pesquisa competentes para o desenvolvimento de novas tecnologias, dentre outras medidas.

Alguns dos desafios para o desenvolvimento das atividades de exploração e produção da província do pré-sal brasileiro:

Desafios Tecnológicos

A descoberta de reservas do pré-sal alavancou o desenvolvimento de um segmento da área de exploração e produção de petróleo e gás natural, no qual há grande exigência por aperfeiçoamentos tecnológicos. Ademais, a gradual mudança de posicionamento de grandes empresas petrolíferas mundiais em busca de diversificação de suas carteiras de investimento, face a um novo cenário de penetração de energias alternativas e de maiores restrições à emissão de gases de efeito estufa1, reforçam a necessidade de desenvolvimento de técnicas mais eficientes para a extração, desenvolvimento e transporte dos recursos. Um dos desafios para o desenvolvimento das grandes reservas de hidrocarbonetos na província do pré-sal é a questão do CO2, presente em grande quantidade, especialmente no gás natural produzido na região da Bacia de Santos. O aperfeiçoamento de técnicas de separação do CO2 dos hidrocarbonetos produzidos é mandatório para o aumento da eficiência no aproveitamento desses recursos. Ainda em relação ao CO2 a ser produzido nessa região, outra possibilidade a ser avaliada é seu uso para injeção nos campos com produção declinante na Bacia de Campos, naqueles em que isso for geologicamente possível, com o objetivo de aumentar o fator de recuperação destes, assim como já é feito em diversos campos na Bacia de Santos. Para isso, uma malha de carbodutos (dutos de transporte de CO2) teria de ser construída com essa finalidade.

Em um panorama de transição energética, a importância do gás natural será fundamental, substituindo cada vez mais energéticos fósseis como o petróleo e o carvão. O petróleo dos reservatórios do pré-sal normalmente está associado a grandes volumes de gás natural e contaminantes. A monetização deste gás natural, produzido a longas distâncias da costa e que pode contribuir significativamente com a matriz energética do País, apresenta-se como um dos desafios do cenário atual.

Basicamente, a viabilidade econômica da utilização do gás natural dependerá da distância, do volume transportado e do preço do gás natural. Além da implantação de gasodutos de longa extensão, existe a possibilidade de desenvolvimento de tecnologias, como geração de gás natural liquefeito (GNL) embarcado, transformação em hidratos, ou adsorção em carvão ativado.

Infraestrutura e Investimentos

Deve-se considerar que a descoberta do présal aumentará de forma significativa a necessidade de investimentos em projetos de E&P. Além da necessidade de dutos de escoamento, a demanda brasileira por plataformas de petróleo do tipo FPSO (produção, armazenagem e transbordo) prosseguirá, com previsão de aumento da demanda das petroleiras e do transporte marítimo não somente para o transporte de cabotagem (na costa brasileira), como para exportação.

Desafios regulatórios e institucionais

O setor de petróleo tem como características basilares ser extremamente intensivo em capital, além de possuir um elevado risco de negócio. Essas características se relacionam, uma vez que o retorno esperado é de longo prazo afetado por diversos fatores, tais como os riscos geológicos, o cenário econômico e de preços, as ameaças de intervenções políticas, a robustez do ambiente regulatório, a vigilância da sociedade em questões sensíveis, entre outros. O ambiente institucional em volta de um projeto de exploração é, portanto, parâmetro fundamental para a decisão de investimento. Em geral, quanto mais seguro, menor a taxa de retorno requerida pelo investidor e maior o volume de investimentos e de exploração esperado.

Nos últimos anos, o Brasil tem promovido uma agenda positiva no setor de petróleo e gás natural, buscando estabelecer um ambiente mais favorável à atração de investimentos. Medidas de redução de encargos e de flexibilização de exigências vêm proporcionando um ambiente favorável à atração de investimentos privados. Essas mudanças reduzem os custos da produção brasileira, tornando-a mais competitiva e atraindo capital de empresas multinacionais. Além disso, outras iniciativas também foram estabelecidas para melhorar a previsibilidade e aumentar a estabilidade dos investimentos, como a execução do calendário plurianual de leilões de blocos exploratórios de petróleo e gás natural, revisão das cláusulas de conteúdo local e a Oferta Permanente6 de blocos exploratórios (EPE, 2018).

Inovação, gestão e capital humano

Sendo a indústria petrolífera intensiva em tecnologia e mão-de-obra altamente qualificada, inovações se fazem constantemente necessárias, através de novas técnicas dependentes de ferramentas computacionais cada vez mais sofisticadas e de profissionais experientes. Por meio da inovação viabiliza-se o aumento de produtividade, a contínua redução de custos, a inserção na cadeia de fornecimento global, e aumenta-se a sustentabilidade ambiental do setor ao longo do tempo.

Desafios socioeconômicos

O pré-sal representa uma riqueza natural cujos benefícios potenciais para a sociedade ultrapassam o setor em si. Esses benefícios vão desde o desenvolvimento das indústrias nacionais direta e indiretamente relacionadas ao setor, ao desenvolvimento tecnológico, passando pelos investimentos em educação e inovação. Um desafio que se coloca ao País é garantir que a exploração desse recurso permita o melhor aproveitamento do ponto de vista da sociedade.

Gerlison Lopes Pinto
Diretoria de Projetos Portal do Petroleiro
Graduando em Engenharia de Petróleo

Referências:
Documento de Apoio ao PNE 2050, pode ser encontrada em, http://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-227/topico-457/Desafios%20do%20Pre-Sal.pdf

Energias

Recapitulando

       O xisto é uma camada de rocha sedimentar, originada sob temperaturas e pressões elevadas, contendo matéria orgânica, disseminada em seu meio mineral. É um minério (portanto fonte de energia não renovável) impregnado com 5 a 10% de material oleoso semelhante ao petróleo.

Figura – Meramente ilustrativa

Um pouco da sua história

       Em 2000, a produção norte-americana de gás de xisto era praticamente zero. Desde 2006 as empresas começaram a usar a técnica da fratura hídrica, ou fracking, que consiste na injeção de toneladas de água, sob altíssima pressão, misturada com areia e produtos químicos, com o objetivo de quebrar a rocha e liberar o gás nela aprisionado. Com a nova tecnologia e investimentos, o gás hoje representa 16% da demanda de gás natural. Somente em 2008, os EUA 

ampliou a oferta em 50% e está investindo em novos poços e na produção em larga escala. Em 2035, o país pode tornar-se autossuficiente com ajuda do xisto.

       Já no Brasil, a primeira extração de xisto aconteceu em 1884, na Bahia. Em 1935, em São Mateus do Sul, Paraná, uma usina instalada por Roberto Angewitz chegou a produzir 318 litros de óleo de xisto por dia. Em 1949, o governo federal decidiu investigar cientificamente as potencialidades do xisto e a viabilidade econômica de sua industrialização. Um ano depois, era criada a Comissão de Industrialização do Xisto Betuminoso (CIXB), para estudar a construção de uma usina na cidade de Tremembé, em São Paulo, com capacidade para produzir 10 mil barris diários de óleo de xisto.

       É importante ressaltar, que o Brasil tem um dos maiores volumes mundiais de xisto: reservas de 1,9 bilhão de barris de óleo, 25 milhões de toneladas de gás liquefeito, 68 bilhões de metros cúbicos de gás combustível e 48 milhões de toneladas de enxofre só na formação Irati, nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Riscos Ambientais

Figura- Riscos ambientais da exploração do xisto

       O xisto é considerado o combustível fóssil que menos emite dióxido de carbono. Mas, assim como o petróleo, a exploração do xisto também oferece riscos ambientais e seus problemas ainda não são totalmente conhecidos.

Embora pareça ser o caminho da autossuficiência energética para os EUA, por exemplo, sua técnica de extração está proibida em países como França, Bulgária e Irlanda.

       A técnica de extração por fratura hídrica utiliza uma grande quantidade de água e gera resíduos poluentes. A atividade envolve uma fórmula contendo mais de 600 componentes químicos e emite gás metano (um dos causadores do efeito estufa e aquecimento global). Um dos riscos mais graves é a contaminação do solo e da água subterrânea.

       Neste processo, pode ocorrer vazamento e as toneladas de água utilizadas podem retornar para a superfície contaminadas por metais e compostos químicos usados para facilitar a extração. A ingestão de metano diluído em água, por exemplo, pode causar sérios problemas de saúde.

Sophia Paiva
Diretoria de Projetos Portal do Petroleiro
Graduanda em Engenharia de Petróleo

Referências:
HINRICHS, Roger A.; KLEINBACH, Merlin; DOS REIS, Lineu Belico. Energia e Meio Ambiente. 5. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2015. 764 p.
GOLDEMBERG, José; LUCON, Oswaldo. Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2008. 396 p.

Energias

       Como o próprio nome já diz, as fontes não renováveis são aquelas abastecidas por recursos naturais que se esgotam. A determinante da não renovação esta relacionada a muitos aspectos, mas a que predomina é a disponibilidade no meio ambiente. As principais fontes de energia não renovável derivam de combustíveis fósseis e são: Carvão Mineral, Gás Natural, Xisto Betuminoso, além dos combustíveis nucleares.

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Figura – Xisto

       O xisto é uma camada de rocha sedimentar, originada sob temperaturas e pressões elevadas, contendo matéria orgânica disseminada em seu meio mineral. 

       É um tipo de rocha encontrada na natureza em duas formas diferentes: o betuminoso e o pirobetuminoso, ambos são ricos em betume. As características de cada um são:

  • Xisto Pirobetuminoso – A matéria orgânica (querogênio), que depois será transformada em betume, é sólida à temperatura ambiente, o betume é obtido através do aquecimento da rocha.
  • Xisto Betuminoso – são hidrocarbonetos (substâncias constituídas de hidrogênio e carbono) que aparecem em rochas sedimentares. A matéria orgânica (betume) disseminada em seu meio é quase fluída, sendo facilmente extraída.

       O xisto libera óleo, gás e subprodutos a partir do processo de aquecimento conhecido como retortagem ou pirólise do xisto, passando ainda por tratamento para uso adequado. O óleo do xisto refinado é idêntico ao petróleo de poço, sendo um combustível muito valorizado. Para a obtenção desse óleo é necessária a extração do betume existente na rocha.

  

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Figura – Produtos derivados do Xisto

       Os produtos obtidos pela retortagem do xisto ainda não estão prontos para o uso e, por isso, necessitam de tratamento para adequá-los ao uso direto, para servirem de matéria-prima em outras aplicações.

      De acordo com estatísticas da ONU, o Brasil possui, referente a essa rochas, recursos equivalentes a 842 milhões de barris de petróleo, o que lhe confere o 2º lugar no mundo, superado somente pelos Estados Unidos, seguido pela Estônia, China e Rússia.

       O Brasil possui um dos maiores volumes mundial de xisto, contém em seu território reservas de 1,9 bilhão de barris de óleo. A Superintendência Industrial de Xisto (SIX) da Petrobrás atua como um centro de desenvolvimento de tecnologia, e processa diariamente cerca de 7.800 toneladas de xisto betuminoso, que geram 3.870 barris de óleo de xisto, 120 toneladas de gás combustível, 45 toneladas de gás liquefeito de xisto e 75 toneladas de enxofre.

       Para que ocorra a exploração de xisto são necessários grandes investimentos econômicos, além de ser extremamente poluente e de pouco retorno.

Sophia Paiva
Diretoria de Projetos Portal do Petroleiro
Graduanda em Engenharia de Petróleo

Referências:
HINRICHS, Roger A.; KLEINBACH, Merlin; DOS REIS, Lineu Belico. Energia e Meio Ambiente. 5. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2015. 764 p.

GOLDEMBERG, José; LUCON, Oswaldo. Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2008. 396 p.

Energias

       A geração de energia é de suma importância para a realização das atividades industriais e, até mesmo, para a vida do ser humano. Conforme dados divulgados em 2009 pela Agência Internacional de Energia (AIE), aproximadamente 87% da energia utilizada no planeta é oriunda de fontes não renováveis, como o petróleo, carvão mineral e gás natural.

Figura – Reservas de Gás Natural

       O gás natural é um combustível fóssil não renovável, ou seja, ele irá se esgotar na natureza. Composto por uma mistura de hidrocarbonetos, com destaque para o metano (CH4), o gás natural é encontrado em jazidas ou depósitos subterrâneos, que normalmente estão associados ao petróleo, pois essas duas substâncias passam pelo mesmo processo de transformação (decomposição da matéria orgânica durante milhares de anos) e se acumulam no mesmo tipo de terreno.

       Esse combustível gasoso, após ser tratado e processado, apresenta grande teor energético, sendo bastante aproveitado nas indústrias para a geração de energia elétrica. Ele também pode ser empregado no aquecimento ambiental e nas aplicações domésticas de residências e como combustível em automóveis adaptados para recebê-lo, substituindo a gasolina, o álcool ou o diesel.

       Mais “limpo” entre os combustíveis de origem fóssil, o gás natural emite menos poluentes se comparado ao petróleo e ao carvão mineral, no entanto, ele não está totalmente isento dos problemas ambientais, visto que sua utilização também contribui para a poluição atmosférica e para intensificação do efeito estufa.

Figura – Unidade de Tratamento de Gás Natural

       Relacionado aos aspectos econômicos podemos destacar como vantagens que sua queima gera grande quantidade de energia, diminui gastos com sistemas antipoluentes, proporciona maior durabilidade aos equipamentos em que é utilizado, requer baixo investimento em armazenamento, pois não necessita de estocagem. No entanto, como desvantagens temos que ele requer infraestrutura cara para sua produção e instabilidade dos preços no mercado.

       De acordo com dados da Agência Internacional de Energia, o gás natural corresponde a 15,6% do consumo energético global; no Brasil, esse combustível representa 7,1%. Essa mesma agência estima que as reservas de gás natural irão se esgotar em aproximadamente 100 anos, caso se mantenha o atual consumo médio.

Sophia Paiva
Diretoria de Projetos Portal do Petroleiro
Graduanda em Engenharia de Petróleo

Referências:
HINRICHS, Roger A.; KLEINBACH, Merlin; DOS REIS, Lineu Belico. Energia e Meio Ambiente. 5. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2015. 764 p.
GOLDEMBERG, José; LUCON, Oswaldo. Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2008. 396 p.

Energias

       Os primeiros resultados da divisão do átomo de metais
pesados, como o urânio e o plutônio, foram obtidos em 1938. A princípio, a
energia liberada pela fissão nuclear foi utilizada para objetivos militares.
Posteriormente, as pesquisas avançaram e foram desenvolvidas com o intuito de
produzir energia elétrica. No entanto, armas nucleares continuam sendo
produzidas através do enriquecimento de urânio.

Figura – Importância da descoberta do átomo

      Alguns eventos importantes no uso da energia nuclear

  • 1896 – Descoberta da radioatividade
  • 1898 – Isolado o polônio e o rádio. Descoberta da radiação
    gama
  • 1910 a 1920 – Uso ingênuo de materiais radioativos na medicina
    e indústria
  • 1926 – Uso de radiação para o tratamento de câncer
  • 1934 – Primeira fissão do urânio com nêutrons
  • 1939 – Carta de Einstein sobre a possibilidade de os alemães
    construírem a bomba atômica
  • 1941 – Início do programa nuclear norte-americano
  • 1942 – Início da construção de um reator nos Estados Unidos
  • 1945 – Lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e
    Nagasaki
  • 1949 – União Soviética explode sua primeira bomba nuclear
  • 1951 – Criação do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq),
    motivada pela era nuclear
  • 1952 – Estados Unidos explodem a primeira bomba de hidrogênio
  • 1953 – União Soviética explode sua bomba de hidrogênio
  • 1955 – Início do abastecimento urbano de energia elétrica de
    origem nuclear

       Atualmente os Estados Unidos lideram a produção de energia
nuclear, porém os países mais dependentes da energia nuclear são França,
Suécia, Finlândia e Bélgica. Na França, cerca de 80% de sua eletricidade é
oriunda de centrais atômicas.

       No fim da década de 1960, o governo brasileiro começou a
desenvolver o Programa Nuclear Brasileiro, destinado a implantar no país a
produção de energia atômica. O país possui a central nuclear Almirante Álvaro
Alberto, constituída por três unidades (Angra 1, Angra 2, e Angra 3). Está
instalada no município de Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro.
Atualmente, apenas Angra 2 está em funcionamento. Em 2002, as usinas nucleares
do Brasil, Angra 1 e Angra 2 produziram juntas um total de 13,8 TWh. Quando
entrar em operação, Angra 3 produzirá aproximadamente 10 TWh por ano.

Figura – Usina nuclear em Angra dos Reis – RJ

       O Brasil tem um programa amplo de uso de energia nuclear
para fins pacíficos. Cerca de 3 mil instalações estão em funcionamento,
utilizando material ou fontes radioativas para inúmeras aplicações na
indústria, saúde e pesquisa. Na área de geração de energia, o Brasil é um dos
poucos países do mundo a dominar todo o processo de fabricação de combustível
para usinas nucleares.

       As reservas
brasileiras de urânio já confirmadas são de 300 mil toneladas e estão entre as
seis maiores do mundo. Em termos energéticos, mesmo com apenas uma terça parte
do país prospectado, essas reservas são da mesma ordem de grandeza daquelas
atualmente existentes em petróleo e seriam suficientes para manter em
funcionamento 10 reatores equivalentes aos existentes – Angra 1 e Angra 2 – por
cerca de 100 anos. O funcionamento dessas duas usinas foi importante no período
de falta de energia no Brasil.

       Essa fonte energética é responsável por muita polêmica e
desconfiança: a falta de segurança, a destinação do lixo atômico, além da
possibilidade de acontecerem acidentes nas usinas, geram a reprovação da
utilização da energia nuclear por grande parte da população. Alguns acidentes
em usinas nucleares já aconteceram, entre eles estão:

  • Three Miles Island – em 1979, na usina localizada na
    Pensilvânia (EUA), ocorreu a fusão do núcleo do reator e a liberação de
    elevados índices de radioatividade que atingiram regiões vizinhas. Isso levou
    os países ocidentais a fazer uma revisão das medidas de segurança nas usinas
    nucleares em funcionamento, aumentando o rigor do licenciamento nuclear.
  • Chernobyl – em 1986 ocorreram o incêndio e o vazamento de
    radiação na usina ucraniana, na extinta União Soviética, com milhares de
    feridos e mortos, podendo a contaminação radioativa ter causado 1 milhão de
    casos de câncer nos 20 anos seguintes.

Figura – Áreas restritas devido a radioatividade

       Enquanto Three Mile Island fez com que se aumentassem os
custos das usinas nucleares em funcionamento – devido à exigência de
investimentos adicionais nos sistemas de segurança, causando atraso no
licenciamento dos projetos em andamento –, Chernobyl aumentou a desconfiança em
relação às centrais nucleares. Não foi devidamente considerado e divulgado,
entretanto, o fato de aquela usina ter projeto e dispositivos de segurança
totalmente diferentes dos reatores ocidentais. 

       A energia nuclear apresenta vários aspectos positivos, sendo
de fundamental importância em países que não possuem recursos naturais para a
obtenção de energia. Estudos mais aprofundados devem ser realizados sobre essa
fonte energética, ainda existem vários pontos a serem aperfeiçoados, de forma
que possam garantir segurança para a população.

Figura – Usina Nuclear

      Aspectos positivos da energia nuclear:

  • As reservas de energia nuclear são muito maiores que as
    reservas de combustíveis fósseis;
  • Comparada às usinas de combustíveis fósseis, a usina
    nuclear requer menores áreas;
  • As usinas nucleares possibilitam maior independência energética
    para os países importadores de petróleo e gás;
  • Não contribui para o efeito estufa.

      Aspectos negativos:

  • Os custos de construção e operação das usinas são muito
    altos;
  • Possibilidade de construção de armas nucleares;
  • Destinação do lixo atômico;
  • Acidentes que resultam em liberação de material
    radioativo;
  • O plutônio 239 leva 24.000 anos para ter sua
    radioatividade reduzida à metade, e cerca de 50.000 anos para tornar-se inócuo.

Sophia Paiva
Diretoria de Projetos Portal do Petroleiro
Graduanda em Engenharia de Petróleo

Referências:
HINRICHS, Roger A.; KLEINBACH, Merlin; DOS REIS, Lineu Belico. Energia e Meio Ambiente. 5. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2015. 764 p.
GOLDEMBERG, José; LUCON, Oswaldo. Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2008. 396 p.

ENERGIAS

       As fontes não renováveis de energia são
aquelas que se utilizam de recursos naturais esgotáveis, ou seja, que terão um
fim, seja em um futuro próximo, seja em um período de médio ou longo prazo. Em
alguns casos, esse tipo de energia costuma apresentar problemas de ordem
ambiental, além de disputas envolvendo a extração e comercialização de suas
matérias-primas.

       Os principais exemplos de fontes de energia
não renováveis são os combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral, gás
natural e xisto betuminoso) e os combustíveis nucleares.

Figura – Fontes de energias não-renováveis

       O petróleo é a principal fonte de energia primária,
alimentando, por exemplo, quase 95% dos transportes a nível global. As restantes fontes principais de energia primária
são o gás natural e o carvão, para além da nuclear, da hídrica e das energias
renováveis.

       Assim sendo, sua
extração e utilização foram e ainda são alvos de conflitos envolvendo potências
imperialistas e países produtores e refinadores. Trata-se, assim, de um recurso
natural de caráter estratégico, pois é amplamente utilizado por veículos,
constituindo-se como um elemento importante nos meios de transporte, além de
também poder ser utilizado na fabricação de produtos derivados, notadamente o
plástico, cosméticos, borracha sintética, lubrificantes, remédios, produtos de
limpeza, asfalto, tecidos sintéticos, entre outros.

Figura – Derivados de petróleo

       Sabe-se que o
petróleo é um hidrocarboneto que se forma a partir da
deposição de restos orgânicos de animais e vegetais no fundo dos oceanos, onde
também se constituem as bacias sedimentares. Assim, o soterramento
desse material durante a consolidação das diversas camadas de sedimentos ao
longo dos anos dá origem a um ambiente desprovido de oxigênio que se torna
propício para a constituição de hidrocarbonetos.

       As reservas
comprovadas de petróleo não param de aumentar, com uma importante contribuição
recente do “offshore”, que devido aos avanços tecnológicos, tem tornado
possível a sua exploração e produção em águas cada vez mais profundas. Desde
1995, as reservas provadas aumentaram sempre mais de 20% por década, aumentando
cerca de 51% no período de 1995 a 2015. As atuais reservas da Europa e Euro
Ásia cifram-se em 21.000 milhões de toneladas, cerca de 9% das reservas
globais, 65 % pertencendo à federação Russa. Os países da OPEC controlavam em
2015 cerca de 72% das reservas globais. Venezuela (18%), Arábia Saudita (16%),
Canadá (10%), Irão (9%), Iraque (8%), Federação Russa (6%), Koweit (6%), são os
maiores detentores atuais de reservas de petróleo provadas.

Figura – Imagem meramente ilustrativa

       Os
combustíveis oriundos do petróleo são profundamente criticados sob o ponto de
vista ambiental, pois a sua queima é responsável pela emissão de poluentes na
atmosfera. Por esse motivo, vários países e entidades vêm buscando
alternativas, a exemplo dos biocombustíveis. Além disso, o uso de outras fontes
de energia também seria uma importante forma de depender menos economicamente
desse tipo de recurso natural. Mesmo assim, podemos dizer que vivemos a “era do
petróleo”, em que quem domina ou controla o uso desse material possui, em torno
de si, um amplo poder econômico e político.

Sophia Paiva
Diretoria de Projetos Portal do Petroleiro
Graduanda em Engenharia de Petróleo

Referências:

HINRICHS, Roger A.; KLEINBACH, Merlin; DOS REIS, Lineu Belico. Energia e Meio Ambiente. 5. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2015. 764 p.

GOLDEMBERG, José; LUCON, Oswaldo. Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2008. 396 p.

Energias

       Frente ao mundo
cada vez mais devastado pelos seres humanos, fontes de energia renováveis
têm se tornado uma necessidade em constante aumento. O petróleo, a partir do
qual são feitos vários derivados como o diesel, o gás natural, o plásticos,
dentre outros, se tem provado um fonte muito ineficaz de energia, não só por
seu alto custo e altos índices de poluição no meio ambiente, mas também por
todo seu histórico sangrento, no qual interesses econômicos sempre estavam
acima da vida humana. A energia nuclear também
está cada dia mais em baixa, pois, apesar de ser uma fonte muito eficiente de
energia, os resíduos gerados em sua produção são extremamente difíceis de se
recomporem e, em casos de tragédias como a de Chernobyl, seus efeitos nocivos à
saúde podem se estender por décadas e décadas.

Figura – Imagem meramente ilustrativa

       Pode-se pensar
que as usinas hidrelétricas,
a princípio são uma ótima fonte de energia já que não é poluente e não oferece
riscos à saúde humana, são uma ótima solução para a atual crise de energia.
Mas, apresenta problemas: nem todas as regiões do mundo têm recursos hídricos
que podem ser transformados em energia, já que existe escassez de água;
e, para a construção de usinas elétricas, é necessário que uma grande área seja
inundada de modo a formar a represa, e esta inundação pode significar perda de
fauna, flora e mesmo culturas.

       Por todos esses motivos que as fontes de energia renováveis
estão mais em alta que nunca, a exemplo da energia solar e eólica, já
amplamente utilizada em muitas partes do mundo, por não poluírem e otimizarem
ao máximo seus próprios recursos, sem necessidades de grandes interferências
humanas de engenharia.

       Dentre essas fontes de energia renováveis
uma vem ganhando cada vez mais espaço e adeptos pelo mundo: a energia geotérmica.
Na sequência descobriremos um pouco mais dessa ainda não tão conhecida fonte de
energia.

Funcionamento da Energia Geotérmica

Figura – Como funciona a Energia Geotérmica

       Para descobrirmos o que é a energia
geotérmica não é necessário irmos muito longe. Basta efetuarmos uma análise
morfológica semântica na palavra “geotérmica”: “geo” indica “terra” e térmica”
calor. Assim, a energia geotérmica é aquela gerada pelo calor da Terra.

       Basicamente, a superfície terrestre é
isolada por grandes placas de seu interior, que é composta por rochas
derretidas. Mas, em alguns pontos da crosta terrestre,
há rupturas que permitem que o calor saia, caso de vulcões e gêiseres, fontes
de água termal que periodicamente entra em erupção, lançando coluna de água
e/ou vapor quente. São os gêiseres que são aproveitados na produção de energia
geotérmica.

       Em regiões que não existem gêiseres, mas
existe o potencial para a produção de energia geotérmica, são perfurados poços,
criando gêiseres artificiais. Assim, a água quente e, em casos mais raros, onde
o vapor seco é suficientemente forte para colocar em funcionamento as turbinas
de estações geotérmicas (México e Itália), é que fazem as turbinas se
movimentarem, convertendo o calor em energia térmica.

Principais Vantagens e Desvantagens da
Energia Geotérmica

Figura – Utilização da Energia Geotérmica

       Como já dito acima, a Energia Geotérmica
apresenta uma série de vantagens em relação às fontes de energia tradicional.
Mas, como tudo também apresenta pontos negativos. Abaixo, listaremos alguns.

  • Alto custo inicial: quando os gêiseres
    não existem no local da instalação, tem de serem criados, tarefa que costuma
    ser muito cara (mas que se paga rapidamente);
  • Poluição sonora:
    a perfuração de poços para realizar criar os gêiseres artificiais produz muito
    ruído, já se está perfurando basicamente rochas, fato que pode causar irritação
    da população vizinha à usina;
  • Manutenção do encanamento: os
    encanamentos usados para a transferência de água e vapor são gastos muito
    rapidamente, já que a matéria-prima contém gases nocivos que acabam por corroer
    o encanamento, além de gerar odores desagradáveis;
  • Afundamento da superfície: a retirada de
    água do interior da Terra pode causar seu afundamento da superfície local
    quando não reposta, caso denominado cientificamente de subsidência. A solução
    está na reposição de água, que pode ser uma atividade custosa;
  • Economia: não é necessário importa a
    matéria-prima, já que está sempre disponível, fazendo com que benefícios
    econômicos permaneçam no local de produção, sem interferência de regulação
    internacional de preços;
  • Espaço necessário: além de não necessitar
    grandes interferências naturais, o espaço necessário para a instalação de
    usinas geotérmicas é muito inferior quando comparado a outros tipos de usina;
  • Baixos índices de poluição: a quantidade
    de CO2 liberada na atmosfera por meio dos gases tóxicos é muito inferior à
    gerada pela queima de combustível fóssil;
  • Eficiente para os países em
    desenvolvimento:
    em vários países em desenvolvimento existem áreas remotas onde
    energia elétrica não
    chega. Por seu baixo custo, a energia geotérmica se torna uma fonte ideal de
    energia para tais locais;
  • Arquitetura flexível: a grande vantagem
    da usinas de energia geotérmica é que elas são modulares, ou seja, podem
    facilmente serem expendidas caso aumente a demanda por energia, economizando
    tempo e energia.

Sophia Paiva
Diretoria de Projetos Portal do Petroleiro
Graduanda em Engenharia de Petróleo

Referências:
HINRICHS, Roger A.; KLEINBACH, Merlin; DOS REIS, Lineu Belico. Energia e Meio Ambiente. 5. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2015. 764 p.
GOLDEMBERG, José; LUCON, Oswaldo. Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2008. 396 p.