Perfuração próxima a domos salinos

Estruturas salinas podem indicar a existência de acumulações de hidrocarbonetos, o que será confirmado apenas com a perfuração de um poço. No entanto, sabe-se da tarefa desafiadora que é perfurar zonas de sal devido ao seu comportamento plástico, podendo fechar o poço em questão de dias. É importante ressaltar que esse comportamento é variável e dependente da mobilidade e de algumas propriedades das rochas salinas. Halitas são menos estáveis que as anidritas, por exemplo.

De forma semelhante, ou até mais problemática, a perfuração nas proximidades de domos salinos é um grande desafio devido à área de influência deles. Alguns dos problemas encontrados estão associados à presença de gases rasos (shallow gas), à perda de correlação geológica e à instabilidade de poços nas vizinhanças dos domos.

Gases rasos situados em profundidades superiores à região de interesse exploratório, podem ser pressurizados, assim como pressurizar as formações e proximidades dos domos salinos. Isso restringe, dificulta e encarece a chegada no reservatório.
A figura abaixo ilustra essa situação.

A existência de estruturas salinas pode resultar em perda de correlação geológica, pois não se pode determinar os topos litológicos com precisão razoável, o que resulta em problemas de controle de poço. Uma zona pressurizada pode ser encontrada a uma profundidade diferente da esperada, por exemplo.

Além disso, o estado de tensões nas zonas próximas a domos salinos faz com que a tensão de sobrecarga não seja a principal, provocando instabilidade. Uma solução para esse problema inclui a perfuração de um poço direcional posicionado considerando o estado de tensão provocado. Contudo, o intervalo de influência não é muito grande, sendo os efeitos imperceptíveis para distâncias na ordem de 500 metros ou maiores que o domo.

Lucas Goulart

Diretoria de Projetos do
Portal do Petroleiro

Graduando em Engenharia de
Petróleo

Referência

ROCHA, Luiz Alberto Santos; AZEVEDO, Cecília Toledo de. Projetos de Poços de Petróleo: Geopressões e Assentamento de Colunas de Revestimentos. 2. ed. Rio de Janeiro: Interciência: Petrobras, 2009. 561 p.